No princípio informática era uma coisa tão corporativa que colocavam o grande Mário Lago para anunciar computadores. Hoje isso seria impensável, a Apple é a primeira a fazer troça com qualquer um com mais de 25 anos e/ou que use gravata. Mas antigamente PC era coisa séria. Ou nem tanto. Esta coleção, fotografada rapidamente, faz parte do acervo da Fundação Cardoso, e fará parte de uma exposição futura.
Antes que me acusem de saudosismo (embora este texto esteja classificado com essa categoria) aviso que não tenho saudade nenhuma das máquinas, eram maravilhosas mas cada uma no seu tempo. Sei que há doidos que ainda empurram carvão goela abaixo para manter seus MSX funcionando, jurando que são a melhor coisa do mundo, mas eu quero é um Macbook!
A seguir, 25 anúncios para matar a saudade de quem viveu essa época e fazer quem não viveu agradecer aos Senhores de Kobol por ter nascido DEPOIS dessa idade da pedra aqui documentada.
Em uma época de pacotes econômicos e muitas lembranças de Decretos-Lei, esse anúncio não foi lã muito sutil.
De mulher de verdade ela virou uma impressora. As mãs línguas diziam que a Amélia, Emília e outras impressoras tinham nome de mulher porque eram barulhentas, monopolizavam a atenção no escritório e viviam pedindo atenção. Ah como era bom ser politcamente incorreto.
O melhor não era chamarem esse monstro de portátil, o melhor era você perceber depois que comprava que agora tinha duas coisas que podiam quebrar, dentro de um gabinete. E falando de matriciais, acredite, elas quebravam.
25 Megabytes. Era muita coisa. Nós micreiros domésticos víamos esses anúncios achando quase impossível que alguém enchesse tanta informação. E não, não fale de MP3 ou vídeos da Paris Hilton. Não haviam sido inventados. Nenhum dos três.
Isso era um HD. 51MB para quem estava acostumado com disquetes de 350KB era um sonho, mas sõ empresas ricas usavam esses HDs, mesmo assim em servidores, com dezenas e dezenas de usuários.
Anúncio de modem. Com sua velocidade quase de Fórmula 1, 4800bps. Uau. Até meu primeiro link via celular, usando acesso discado para provedor via cabo serial em um aparelho ATL já foi a 9600.
256KB de memória e aprovado pela SEI. Quer mais o quê?
Não deixe os 64KB de RAM te enganarem, esse equipamento, chupado compatível com o TRS-80 era uma bela máquina, na mesma linha do CP-500. De curioso o otimismo, com o texto listando “opções futuras” Winchester de até 20MB, CP/M e clock dobrado, indo para inimagináveis 4MHz.
Ele mesmo. Ziraldo, o Homem que Nunca Broxou, assinando ilustração em uma linha de computadores de mão, que estavam mais para calculadoras (hoje em chamaria de PDA linha PalmOS). A PC1500RP tinha 11,5KB de memória e uma impressorinha colorida com 4 cores gráfica que até hoje seria um charme para qualquer usuário de Pocket PC.
Para não dizer que sou imune a trocadilhos, afirmo que esse anúncio é de um puta mau gosto.
Nos Tempos Maravilhosos da Reserva de Mercado era possível você lançar um clone do Apple 2, com um logo muuuito parecido com a maçã arco-íris da Apple (e do Apple 2) e se safar com isso.
Eu amava o TK90X, foi o melhor micro que já tive, onde aprendi tudo que sei em informática (ok, preciso me atualizar). Achei o manual dele hoje, e será um belo futuro post. Notem o logotipo da Microdigital. Lembra o da Microsoft? Pois é, não só copiaram o logotipo, foram caras-de-pau o bastante para vender jogos pirata (SIM, oficialmente) com uma marca de fantasia.. MICROSOFT.
Sorte que foi na época que o Bill Gates começou a crescer, e seus advogados cuidaram de tudo.
O CP-500 é o computador mais parrudo que já vi, parecia que aguentaria um tanque. Só tinha um pequeno defeito em seu projeto. Ali, ao lado direito do teclado numérico, havia uma depressão com um botão vermelho. Tentador. Todo visitante que chegava ao seu lado era atraído, e mesmo com o botão sendo bem duro, dava um jeito de apertá-lo.
Era o RESET da máquina.
O CP-300 nada mais era que um mini-CP-500, rodando o mesmo err.. “sistema operacional”. Era uma espécie de versão portátil.
Ainda bem que em 2006 nós seguimos o caminho certo. Já imaginou se estivéssemos cercados de guerras, terroristas, epidemias e ameaças globais ao meio-ambiente?
Depois que cansou de copiar computadores da Tandy e de Sir Clive Sinclair, a Microdigital resolver copiar o Atari, mas usou um controle absolutamente podre, ao invés do controle original do Atari, o melhor joystick de todos os tempos.
O TK2000 era um bom micro, mas sua sina era ser um quase-Apple. Rodava o Apple BASIC mas não funcionava com programas em assembler para o 6502. Muita gente jogou o seu no armário depois que descobriu isso.
Outra coisa que, como Coca-Cola em garrafas verdes, não fazem mais: Editores de Texto dedicados. Essa tela vertical devia ser muito confortável de usar.
CP-400 Color. Bem anterior ao Collor. Seus jogos eram ótimos e seu joystick analógico atraía amores e ódios. Projetado provavelmente pelo Aleijadinho, ninguém conseguia ficar mais de cinco minutos jogando sem ferir o dedo indicador, mas mesmo assim a gente continuava. Essa máquina tinha um bug muito estranho; às vezes a palheta de cores se misturava, ele trocava internamente o G pelo B no RGB, a solução era um RESET.
Isso era bem raro, um TRS-80 voltado para o mercado doméstico. Virtualmente todos eram corporativos, com exceção do CP-400 e do COLOR-64, mas esses eram compatíveis com o TRS-80 Color. Dos jogos do TRS-80 normal, todo mundo tinha mas ninguém divulgava era o FUC-FUC. Preciso explicar o motivo?
O Ringo foi uma tentativa de abocanhar pedaço do mercado Sinclair no Brasil, na mão da Microdigital. Seu erro foi alardear compatibilidade quando na verdade não era bem assim. Logo que a notícia se espalhou ninguém mais comprou, e o bicho caiu no esquecimento. Eu mesmo nunca cheguei a ver um ao vivo. Junto com o MC-1000, são dois quase-vaporware.
Vocês eu não sei, mas eu acho que essa chamada descreve perfeitamente um computador nos anos 80.
Muito charme, muito ar de Ficção Científica, mas se você reparar o monitor do clone do Apple é o que todos nõs usávamos em casa com nossos computadores, uma televisão.
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